Quem Precisa de Inclusão? - by Lara Orlow



Quando me deparei pela primeira vez com o termo inclusão, pensei: o que será inclusão? E fui buscar o significado disso. Antes de entender a inclusão, preferi fazer o caminho inverso, e busquei o que seria a exclusão. Descobri que a exclusão é o afastamento, a ignorância, o distanciamento, a falta de acolhimento. Então, percebi que a inclusão era justamente o oposto. Aproximação, conhecimento, compreensão, aproximação e acolhimento. E descobri algo muito mais importante. Que eu fui uma aluna de inclusão. Não por possuir alguma deficiência ou necessidade de aprendizagem especial, mas porque todos fomos alunos de inclusão. Somos adultos de inclusão. Porque todos os seres vivos precisam se sentir incluídos, abraçados e acolhidos.
Não há ninguém que seja absolutamente independente. Todos dependemos uns dos outros, dependemos de estruturas sociais e de adaptações do meio para possibilitar nossa vivência. Desde os primórdios da história da humanidade nos deparamos com adaptações. Nossos ancestrais adaptaram palha, junco e madeira para construir coberturas que os abrigassem das intempéries. Adaptaram pedra, lascando-a, para buscar alimentos e se defender de feras. Adaptaram pele de animais para proteger seus frágeis corpos de espinhos, temperaturas bruscas e doenças. Se a humanidade chegou onde está hoje foi graças à capacidade de adaptar o meio que nossa espécie possui.
A adaptação está ao nosso redor em tudo. As cadeiras são assentos adaptados para os nossos corpos. Camas são locais de repouso adaptados para nosso conforto e sono. Talheres são objetos adaptados para que possamos levar o alimento à nossa boca. É infinito.
Inclusive os meios para reverter os processos depredatórios contra a natureza e a ação das sociedades sobre o desmatamento são adaptações, em uma tentativa de corrigirmos as degradações ambientais.
Então, quando falamos em adaptar a acessibilidade estamos falando do potencial humano inato de adaptar o meio à vida. Estamos falando de cada um de nós. Estamos falando do respeito à pessoa humana, independente de suas necessidades, dificuldades ou especialidades.
Ouvi certa vez a fala de uma professora que foi extremamente tocante para mim. Foi um exemplo de uma dinâmica em grupo, então não sei o nome dessa professora para citar, mas sua atitude deve ser repetida inúmeras vezes:
“Certa manhã uma mãe angustiada foi levar sua filha “especial” ao primeiro dia de aula em uma escola regular, um pouco ansiosa falou para a professora, enquanto apresentava sua pequena: - professora, minha filha é especial, (posso imaginar a cena, a professora parada à porta da sala, as crianças em efusão de sons pelo novo ano letivo que se iniciava àquele dia, cores de cartazes por todas as paredes, pequenas mochilas sobre o encosto das cadeirinhas diminutas) a professora parou, sorriu suavemente para a mãe e disse afetuosamente: - não se preocupe mãe, todos meus alunos são especiais.” Naquele momento a mãe confiou no trabalho e na competência daquela professora, afinal ela estava deixando nas mãos daquela completa desconhecida seu bem mais precioso.
Esse exemplo trás a tona algo maravilhoso:
Todos nós somos especiais.
Todos nós temos competências.
Todos nós temos habilidades.
Todos nós temos necessidades.
Todos nós temos deficiências.
Todos nós temos dificuldades.
Cada um em graus diferentes, mas a verdade é que somos iguais, em nossas diferenças. Aí entra a inclusão. Todos nós precisamos ser e nos sentir incluídos.
Afinal, voltando a citar a adaptação, não fomos nós que nos adaptamos ao meio, nós não aprendemos a viver em árvores ou a caçar usando nossas presas. Nós fizemos a adaptação do meio para nossa vivência, conforto e sobrevivência.
Quando partimos desse pressuposto, quando entendemos a inclusão e as adaptações como especificidades humanas, naturais da nossa espécie, podemos então perceber que não se tratam de pequenas situações pontuais, não, são situações corriqueiras, comuns, do nosso cotidiano.
Para aprendermos a incluir precisamos aprender a compreender o outro, suas limitações e suas potencialidades. Mas como vamos perceber o outro se muitas vezes somos incapazes de perceber a nós mesmos?
Quem conhece suas limitações, as aceita e busca recursos para ultrapassar as barreiras que essas limitações impõem?
Quem conhece suas habilidades, busca auto-estímulo e valoriza aquilo que tem de melhor?
Eu posso dizer quem faz isso com maestria e muito tem a nos ensinar: os portadores de deficiências, os alunos com dificuldades de aprendizagem, as pessoas com necessidades especiais. Esses reconhecem, aceitam e assumem suas limitações, buscam meios para ultrapassar barreiras, e a cada avanço enxergam conquistas, tornando-se vitoriosos.
Não somos nós que temos a ensinar, mas sim a aprender.
Cada criança com síndrome de Down alfabetizada significa um reconhecimento da dificuldade, luta pelo aprendizado e conquista.
Cada criança com dislexia em processo de aprendizagem significa coragem de vencer barreiras neurológicas, buscando novas formas de compreender aquele conteúdo tão igual, tão comum, tão inexplorado e tão sem recursos didáticos.
Cada surdo que conversa através das Libras significa sua capacidade inata de comunicação, verbalização simbólica, manifestação criativa.
Cada cego que conhece os caminhos de uma cidade através de seu cão guia ou de sua bengala significa sua independência e sua vitória na capacidade de ir e vir.
Há tanto mais que se falar de cada vitória dessas, que insistimos em rotular como deficiências. Quem são os verdadeiros deficientes afinal? Quem de nós teria a capacidade, a coragem e a força de vontade de lutar contra suas barreiras internas e se libertar do mundo interior em que vive um autista?
... Talvez todos! Mas isso é algo que nunca saberemos!
Afinal, somos pessoas de inclusão, todos nós!
A nós, pais, educadores, gestores municipais, agentes sociais... humanos... cabe acolher, adaptar o mundo para eles (assim como já está adaptado para nós, afinal o mundo não apareceu do nada com os confortos e facilidades que existe hoje), preparar e acurar nosso olhar, para percebermos o que o outro tem de melhor, sem rótulos, afinal rótulos são apenas adaptações de embalagens para sabermos o que há pelo lado de dentro. E será que nossos rótulos estereotipados conseguem definir toda a infinidade de características que uma pessoa possa ter contidas em si?
Vamos acolher com nossas atitudes, abraçar com o olhar e incluir com o coração.


Afinal, quem precisa de inclusão?

Prioridades - by Lara Orlow



Quando nos deparamos com todas as possibilidades que se abrem freneticamente diante de nossos caminhos, inevitavelmente somos obrigados a definir prioridades.

Quantas e quais são as áreas que queremos resolver em nossas vidas? Temos a afetividade, relacionamento, família, saúde, dinheiro, profissão, lazer, isso tudo sem contar com os objetos “sonhos de consumo”.

Assim qual o melhor caminho para sabermos exatamente o que queremos e quando queremos? Como alinhar mentalmente nossas prioridades e definir em que ordem devemos projetar nossa mente na meta de alcançar nossos objetivos?

Claro que tudo o que está a nossa volta possui seu próprio grau individual de importância, e nós mesmos sabemos mensurar o tamanho da necessidade que possuímos. Mas diante de determinadas situações vivemos verdadeiros dilemas, onde nos colocamos de maneira passiva, deixando a vida acontecer desenfreadamente.

Mas se estamos em um estágio evolutivo onde nos reconhecemos enquanto formadores do mundo, e mais que isso, construtores do universo como ele é nesse momento, então qual a verdadeira atitude que devemos assumir? A de meros expectadores, a de coadjuvantes ou a de atores principais? Considerando o mundo como nossa obra prima, por direito de herança divina, e, em possuindo interna e externamente todas as ferramentas cabíveis para sua transformação e sua criação, então, muito mais que atores, deveríamos nos colocar na posição de produtores de nossas vidas.

Mas, ainda assim persiste a questão! Apesar de estar claro em nossas mentes que transformamos e criamos o mundo em que vivemos, devemos focar nossos esforços em definir por onde começar, quais etapas vamos seguir, o que começar primeiro e qual de todas as possibilidades de nossa vida será a primeira a ser resolvida, ou o último desejo a ser alavancado.

Por onde começar?

Quando temos claro o plano de nossas vidas e nossas metas finais estão elaboradas mentalmente, então já temos condições de partir do principio que a definição de metas deve começar por dentro. Não se pode criar ou mudar algo partindo do vazio. Então se começa a busca pelo conhecimento. Nossa alma é lavada por um contingente monstruoso de informações, somos bombardeados por novos conceitos e a mudança interna começa. Esse trilhar pode ser longo ou curto, depende da capacidade de absorver conhecimento que nossa mente possua. Depende de como cada individuo consegue absorver e elaborar certas informações, de acordo com seu histórico de vida.

Quando nosso interior está devidamente embasado com toda a sabedoria e inflado com os mais puros pensamentos e sentimentos, estamos então prontos para dar seqüência à formação de nossos mundos individuais. Somente com a mente clara e o coração limpo, livre de quaisquer mágoas, perdoando nossos erros e os erros alheios é que temos condições plenas de determinar as prioridades para a concretização de sonhos e desejos.

Claro que sempre se pode recorrer à simplificação de desejar tudo ao mesmo tempo, mas diante da dedicação necessária para que suas metas aconteçam exatamente como se desejou, ou em uma visão ainda mais complexa, para que aconteça ainda melhor do que se planejou, é de suma importância que se invista uma atenção especial e verdadeira a cada meta, transmitindo-lhes seu verdadeiro significado.

Seja a compra de uma residência ou de um automóvel, seja a conquista do amor verdadeiro ou a conclusão de algum projeto, ou quem sabe ainda uma viagem, todo e qualquer sonho deve receber igual atenção e dedicação.

À partir daí o Universo terá todas as armas significativas para começar a atuar em nosso favor, na verdade nós fornecemos à mente divina, através de nossa fé (troquem essa palavra por Lei da Atração), as condições necessárias para que nosso mundo se manifeste da maneira que desejamos, e mais que isso, que se manifeste de maneira perfeita, o que condiz com nossa natureza ambígua, divina e humana, considerando que somos feitos à imagem e semelhança de nosso Criador.

Nossa vida terá sua trilha definida, com as etapas de realizações estabelecidas e nós saberemos exatamente o que queremos e por que queremos.

Portas Fechadas - by Lara Orlow



Sonhos, planos, ilusões, objetivos, etapas e projetos.
Ideais que lutamos para alcançar, mas que, em alguns momentos de nossas vidas parecem ter mais barreiras e obstáculos, do que facilidades.
Em resumo tratamos aqui das famosas portas fechadas.
Projetamos, pensamos, nos dedicamos para alcançar alguma coisa especifica, mas quando resolvemos colocar em prática nosso plano de ação, parece que qualquer esforço que dispensamos à concretização do tal objetivo, esvai-se como fumaça no ar.

Porque em determinadas fases de nossa vida os obstáculos parecem ser maiores do que em outras? Porque alguns objetivos são alcançados tão facilmente, enquanto outros se tornam praticamente impossíveis?

Porque algumas pessoas têm as portas abertas para todos seus sonhos, enquanto outras parecem caminhar sempre em círculos?

Após meditar muito sobre o assunto, e observar histórias de pessoas ao meu redor, descobri uma coisa simples. Não adianta lutar contra o destino.

Uma coisa é batalhar para alcançar um objetivo, outra coisa é dar murro em ponta de faca. E por mais que essa informação possa ser chocante, é a mais pura realidade. As vezes desejamos tanto uma determinada coisa, queremos tanto alcançar um tal objetivo, mas quanto mais lutamos para nos aproximar disso, mais longe fica a realização. Como se todas as energias do Universo estivessem lutando contra nossos ideais.  Quase como nadar contra a maré.

Isso significa que devemos então assumir uma posição submissa diante da vida e aceitar somente o que nos é imposto? Não devemos lutar para superar nossas próprias expectativas com relação à nossa vida, identidade e sonhos?

Não!

Isso significa que devemos estar em equilíbrio com o plano divino para nós. À partir do momento que possuímos auto-conhecimento, entendemos por que estamos aqui, o que estamos fazendo nesse plano terrestre, qual nosso objetivo de vida e quais os melhores caminhos temos para seguir, de acordo com quem somos.

Imagine se Einstein resolvesse ser compositor ao invés de físico! Não teríamos tido tantos avanços nesse campo. Ou se Freud resolvesse lutar para ser engenheiro, o que seria da psicanálise? E se Mozart achasse que sua felicidade estava na filosofia ou na pintura? Se madre Teresa tivesse se dedicado à moda? E Gandhi resolvesse ser piloto de avião? Michelangelo açougueiro! Não existiria o lindo teto da capela Sistina!

Todos os grandes nomes da história nos mostram pessoas como nós, com sonhos, desejos, limitações, medos, amores e dúvidas, mas com um diferencial em relação aos demais: eles identificaram seu chamado interior, traçaram metas de acordo com o que realmente tinham afinidade e souberam abrir as portas certas para concretizar seus objetivos.

Na verdade, isso é ainda mais profundo. Einstein não sabia que um dia ele descobriria Teoria da Relatividade. Ele não acordou um belo dia falando:
- Nossa, vou descobrir a Teoria da Relatividade, então serei um dos mais importantes físicos da humanidade moderna.
E Depois disso levantou e começou a distribuir panfletos escritos que acabara de descobrir a tal teoria. Nada disso.

A física era algo natural para ele. Einstein, na infância, foi diagnosticado com dislexia. No entanto ele foi além. Seu raciocínio lógico mostrou algo diferente, apesar de seu desenvolvimento cognitivo não estar de acordo com as expectativas padrões da época, ele possuía uma estrutura mental que o levava a observar as coisas ao seu redor e anotar o que via, para mais tarde analisar e tirar conclusões. Ele podia não ter habilidade com a área de humanas, mas na área de exatas era absolutamente hábil.

Isso é auto-conhecimento. Ele sabia de suas potencialidades! E usou o que tinha de melhor. Diante das negativas que recebera ao longo de sua vida escolar, poderia facilmente desistir e ser coveiro. Mas ele usou o que tinha de melhor, e se tornou um dos maiores nomes da física moderna.

Se for preciso releia atentamente o exemplo de Einstein que citei. Não estou falando de desistir de seus sonhos, mas ao contrário disso, sonhar com o que de fato lhe é cabível. Antes de criar expectativas, é necessário conhecer-se, saber quais são suas limitações e seus pontos fortes, para à partir disso traçar suas metas.

Seja você quem for, ou quais sejam seus objetivos, você só terá condições de concretizá-los quando estiver alinhado com seu próprio potencial.

À partir do momento que souber quais suas habilidades, você poderá focar e incitar seus esforços para adequar-se, estimulando o que já lhe é inato.

Quando seus sonhos estiverem alinhados ao seu talento, você verá que apesar de ainda ser necessário dispender esforços para atingir o que deseja, isso acontecerá tão prazerosa e facilmente, que você só conseguirá ver portas abertas para a viabilização dos seus planos.

Eu Passo Pela Vida - by Lara Orlow




Eu passo pela vida... E vivo...

Em definição literalmente passeio pela vida
Levo meus sonhos numa mochila, sigo o vento e caminho em direção ao sol.
Tropeço, caio, levanto e dou gargalhadas de mim mesma

Morro de tanto chorar, para em seguida erguer os olhos para os céus e ver um lindo sol a me dourar a pele. Saio às ruas, cumpro meus compromissos... Mas sigo a vida à passeio...

O sol nasce pela manhã, e estou dormindo ainda, mas não perco aquele magnífico espetáculo, porque o vejo acontecer nos meus mais profundos sonhos, e estou lá todos os dias, sentada em algum vale perdido, no meio da relva úmida pelo orvalho observando sua imponência erguendo-se no horizonte, entre seus raios avermelhados, tingindo o céu de púrpura.

Quando finalmente me acordo e levanto pela manhã já alta, com o azul a perpassar pelas frestas de minha janela sorrio e agradeço por mais um dia, que sei, será repleto de tudo aquilo de que necessitarei!!!!

Vou trabalhar, mas não sou qualquer mortal, sou um turista em minha própria vida. Olho as pessoas ao redor, e ao invés de lhes observar as falhas, vejo o brilho de seus olhos, e sua individualidade. Sigo pelas ruas abarrotadas de vidas, e não vejo homens de negócios ou mães apressadas... O que vejo são pessoas, são emoções, outras vidas como a minha, repletas de experiências, amores a serem descobertos, sonhos a serem realizados, lágrimas a serem derramadas e lutas a serem desbravadas...

Caminho pelas ruas, e ao invés da pressa corriqueira dos dias atarefados, levo no coração a calma do tempo ocioso que passa devagar pelas pedras assimétricas das calçadas. Os ônibus abarrotados nada mais são do que veículos mágicos a me levarem pelas estradas ruidosas da vida, que carregam em si os mistérios de cada individuo ali presente.

Caminho devagar, não adianta ter aquela pressa, vou andando, cabeça baixa ou não, mas sempre a passeio, disso não abro mão. A cada esquina sempre há a oportunidade de uma nova experiência, nem que seja a experiência sublime de um "bom dia".

Nas reuniões tensas e repletas de planos estratégicos, enquanto o assunto transcorre entre a visão da empresa e o aumento da receita, ou a avaliação de satisfação do cliente, minha mente divaga, observo os detalhes luminosos do reflexo dos raios de sol que tremeluzem na vidraça embaçada pela poeira, dou gargalhadas silenciosas ao ver os olhos arregalados de diretores e homens de negócios que se envolvem tanto em seus problemas cotidianos que se esquecem que o balançar suave das persianas mais parecem um bailar sublime e compassado, na marcha lenta de minha musica favorita.

Entre sonhos que minha mente cria me levando ao mundo iluminado em que vivo, a caneta cria vida, e o papel de anotações vira a tela de inusitado artista, de rabiscos azulados nascem fadas, árvores obscuras e laçarotes voadores que em intrínsecas linhas remontam os sonhos das esferas...

Mas ainda não terminou meu dia... Ele apenas esta começando... A cada refeição, tenho um banquete, não me importa do que eu esteja me alimentando, será sempre um manjar dos deuses, pois saboreio cada tempero, deixo meu paladar percorrer cada sabor, e o mais incrível é que a cada dia, será um novo gosto... Simplesmente porque é um novo dia, é uma nova refeição, é um novo assunto a ser travado com a emoção do Olimpo, que me fará certamente perder ou aumentar o apetite... Uma nova experiência em minha vida de passeio!!!!

Noite!!! Linda lua sobre minha cabeça... Retorno para casa!!! As ruas enegrecidas faíscam as pedrinhas que aos meus olhos são pequenos diamantes cravados no chão, reluzindo a luminosidade das lâmpadas amareladas que clareiam meu caminho.

Cansada? Claro, vivi tantas aventuras e descobri tantas possibilidades novas, que estou exausta, exasperada por um banho delicioso, sentindo o prazer da água quente correndo por minha pele... Alguém já parou um segundo para perceber a delicia de um simples banho de chuveiro?

E sigo passeando, caminhando, em eternas férias... Minha vida é como qualquer outra, não me julguem com descaso... Tenho meus compromissos, e os cumpro todos... Com louvor... Mas não aceito a vida como me é imposta, crio a minha própria vivência, sigo meu caminho, caindo e levantando, sorrindo e chorando, mas buscando inevitavelmente ser feliz... E aí está a graça da vida... Rir de mim mesma, rir de minhas desgraças, rolar no chão como criança e esquecer de levantar, ficar ali, prostrada, em gargalhada...

Sou louca? É possível... Sou insana? Certamente... Perdi o senso? Óbvio... Mas há algo de especial nisso tudo, disso que não abro mão!!! É meu segredo... Não me atenho nas particularidades desgostosas ou nas desgraças corriqueiras... Faço de minha vida uma aventura!!!

Vivo cada dia... Aprendi isso caindo, tropeçando e chorando... E percebi que não vale a pena me prender na dor, mas sim, sentir o efusivo abraço de uma criança como uma tarde clara num parque de diversões...

Observando dessa maneira... Tudo ao meu redor cria nova forma... Carros são aeronaves; chuvas são gotas mágicas de luz; pessoas são espécies raras de seres encantados; problemas são desafios de jogos de estratégia; lágrimas são gotas salgadas do oceano; amores perdidos são capítulos de minha novela preferida; sorrisos são notas musicais; amigos são pequenos deuses a nos abençoar; o trabalho é o dom de buscar o ouro no final do arco-íris.

Família é o doce segredo que nos faz chorar e rir, em momentos nem sempre necessários; novos amores são minhas novas novelas preferidas; suspiros de partir o coração são ventanias que eu mesma provoco, no vazio que as vezes invade meu peito; doenças são batalhas internas com cavaleiros negros, onde sempre somos vencedores, de uma maneira ou de outra; a água que bebo é o elixir da vida; um tropeção na pedra da rua é um meio de me chamar de volta à terra...


Não importa, seja como for, as pessoas se esquecem de observar os pequenos detalhes, aqueles que transformam nossa vida em luz... É nisso que me apego... Nos pequenos detalhes, no brilho do olhar, nos detalhes delicados do mármore do piso do elevador, no abraço verdadeiro, nas curvas retilíneas de minha vida...

Aproveitar ao Máximo - by Lara Orlow.



Aproveitar a vida, aproveitar um amor, um beijo, um dia de sol, até mesmo um dia de chuva. Aproveitar um bom emprego, um fim de semana prolongado, a boa musica que toca no radio enquanto o trânsito ferve do lado de fora de seu carro. Aproveitar tudo aquilo que nos é oferecido tão gentilmente pelo Universo.

O que significa aproveitar ao máximo? Como podemos aproveitar ao máximo alguma coisa quando estamos tão repletos de problemas? Os problemas cotidianos, os problemas corriqueiros, comuns no dia a dia... ou, pior que isso, aqueles problemas densos e complicados, que parecem indissolúveis, que martelam nossas cabeças nos fazendo perder horas de sono, sem sequer imaginar que solução poderíamos ter.

Aproveitar ao máximo.

Aproveitar as oportunidades, enxergar possibilidades mesmo diante de barreiras aparentemente intransponíveis. Visualizar a possibilidade de uma nova ponte diante do abismo. Isso é aproveitar ao máximo, é se entregar, mergulhar de cabeça, sentir no fundo da alma, seja o que for. Seja o lamento, seja a dor, sejam as lágrimas. Sentir em toda a sua amplitude, deixar extravasar a emoção, deixar fluir os sentimentos, permitir que a vida aconteça em toda sua magnificência.

Parece tarefa fácil quando tudo vai bem na vida. Mas e diante dos problemas? Diante das lutas e das dificuldades?

Esses são os melhores momentos para APROVEITAR AO MÁXIMO. Aproveite o máximo de sua dor, e permita que ela lhe prepare para a felicidade. Aproveite ao máximo as suas lutas, e permita que elas lhe preparem para as vitórias e conquistas. Aproveite ao máximo suas derrotas, e permita que elas lhe preparem para o aprendizado da vida. Aproveite ao máximo suas lágrimas, e permita que elas lhe preparem para o sorriso. Aproveite ao máximo a solidão, para que se descubra sua maior e melhor companhia, você.

Aproveitar ao máximo tudo na vida, e viver intensamente significa que você deve sempre estar aberto ao que o Universo lhe proporciona. Estar apto a receber de braços abertos, permitir que a vida se manifeste, da forma como ela vier, estando ciente de que todas as suas ações trarão reações do universo. Ou seja, as dores, as lágrimas e os tropeços da vida, nada mais são do que reflexos de atitudes mal pensadas e decisões mal tomadas. Um castigo? Não, simplesmente o resultado de precipitações e impetuosidades. Então, abra os braços para os resultados de suas ações, aceite como uma grande lição que o Universo está lhe oferecendo, e agradeça sempre, porque só ensinamos àqueles que têm mentalidade para aprender.

Só é mostrado o caminho para aquele que tem condições de seguir a trilha. Se o Universo está lhe ensinando algo, ainda que de forma dolorosa, significa que você, em algum momento passado, seguiu o caminho mais complicado (não vamos falar em erros e acertos), mas tem condições plenas de retroceder e fazer do modo mais rápido, eficiente e coerente para a sua experiência de vida.

Então aproveite ao máximo. Se abra para o novo, absorva tudo ao seu redor, respire profundamente e beba muita água, aproveitando cada segundo de suas ações, sabendo que com certeza elas acabarão e novas vivências acontecerão.

Aproveite tudo ao máximo e seja feliz agora!



Artigo site A CAPA - Os Caminhos de Lumia.

http://acapa.virgula.uol.com.br/mobile/noticia.asp?codigo=19752

Pioneira quando o assunto é literatura dedicada exclusivamente ao público lésbico, a Editora Brejeira Malagueta lança no próximo dia 4 de dezembro (sábado), a partir das 20h na Telepizza Laranjão, o livro "Os caminhos de Lumia", da escritora Lara Orlow. 

Escrito por uma cigana de origem moldovana e kalin, "Os caminhos de Lumia" percorre a vida e os costumes desse povo, propondo além de uma visão única das minorias lésbicas, um debate sobre as questões multiétnicas, típicas de cidades como São Paulo.

É na capital paulistana, na Praça da República, que Clara visita todas as tardes uma cigana. De cabelos longos esvoaçantes, saia colorida, dança voluptuosa com movimentos sensuais e vibrantes, Lumia enfeitiça a jovem gerente. Entre os jogos de Baralho Cigano e a realidade da vida, as duas jovens descobrem novas possibilidades de amor e de identidades. 

Com direito a festa tipicamente cigana, músicas, danças, bebidas e comidas, o evento gratuito contará com a presença de cartomantes, dançarinas da etnia e uma sessão especial de autógrafos com a jovem autora. "Um evento que une duas minorias, ampliando sua visibilidade e força na missão em prol da diversidade", pontua Hanna Korich, uma das sócias proprietárias da Editora Brejeira Malagueta.

Serviço:"Os caminhos de Lumia", de Lara Orlow
Lançamento: 04 de dezembro, sábado, a partir das 20 horasFesta Típica Cigana na Telepizza Laranjão Entrada GratuitaRua Bento Freitas, 131 - República - Tel.: (11) 3361-3222 ou 3222-3005

Alavancas Emocionais - Lara Orlow



Acordar cedo, levantar, tomar banho, tomar café, seguir para o trabalho, enfrentar o trânsito repleto de “vais-e-vens”, carros, buzinas, transtornos, policiais multando, ambulantes vendendo apetrechos, farol quebrado, atraso no trabalho, crianças pedindo esmola...

Briga com o companheiro, ou, companheira, dívidas a pagar, discussões familiares, morte, nascimento não planejado, separação, decepção, doença, dependência química...

Beijos, abraços, sexo, desejo, afago, toque, saudade, carinho, promessas, sussurros, delicadezas...

Cobranças, pressões, obrigações, brutalidade... Medo, insegurança, incerteza, leviandade, falsidade, cautela, imprecisão, vergonha, falta de vontade, teimosia, retrocesso, fuga...

Amor, paixão, afeto, compreensão, certezas, sinceridade, reflexão, ponderação, pausa, respiração, colo, abrigo, acalanto, maturidade...

Em um emaranhado de emoções, que vibram dentro de nós e ao nosso redor, recebemos uma avalanche de informações que despertam determinados sentimentos, e esses sentimentos por sua vez são verdadeiras alavancas para nossa motricidade.

Motricidade? Sim, nosso caminhar, nosso ser, nosso estar, nosso agir, nosso executar... Nossa motricidade. Como nos comportamos diante do mundo que nos cerca. Como somos diante de tantas emoções a alavancar as ações que desempenhamos em nossa vida.

Existe uma receita? Não, não existe um bolo a ser feito, mas sim uma vida a ser vivida. Existe a coerência entre o que somos, o que queremos e o que sentimos. Com base nessa coerência podemos delinear como vamos viver e como vamos agir em nossas vidas. Mas o mais importante nessa árdua tarefa é perceber que o personagem principal somos nós mesmos. Nosso “eu”, que receberá, inevitavelmente, as reações provenientes das ações que desempenhamos.

Cada vez que uma alavanca é acionada em nossa vida, através dos sentimentos e das emoções, algo novo surge, e somente nós seremos os receptores das reações desencadeadas por essas ações. Parece simples e fácil, talvez até infantil, se visto de forma geral. Ações boas geram reações boas, ações más geram reações más. Mas não é tão simples assim, afinal quem somos nós para definir o que é bom ou o que é mau? Quem somos nós para dizer ao outro o que é correto ou o que é incorreto? Não estamos aptos a ditar a vida de outrem, entretanto podemos analisar por outro ângulo... Nos colocando na posição das outras pessoas. O que você gostaria de viver? O que você gostaria de receber de alguém? Como você gostaria de ser tratado?

Responda isso e saberá o que é bom para si e para as pessoas ao seu redor. Assim, quando as situações gerarem emoções-alavanca em sua vida, trate de agir cautelosamente, pois essa mesma alavanca poderia ter sido ativada no outro, e seria você a receber a ação e responder com a reação.

Naturalmente a reação será imediatamente uma resposta à sua atitude, que inexoravelmente, será recebida por você mesmo.

Isso não se dá somente com pessoas e com relacionamentos interpessoais, mas também com coisas e situações. As reações podem vir de todos os lados, como jogar uma bola na parede e esperar que ela volte para suas mãos, ela voltará, essa é a reação de jogar a bola e vê-la quicar na parede, para em seguida voltar para suas mãos, na mesma intensidade com a qual fora lançada. Ou socar um joão-bobo, para em seguida receber violentamente o golpe de seu vai-vem. Socar a parede e ver sangrar as juntas dos dedos... Reações de suas próprias ações.

Então se conecte com você, conheça seus limites, respeite-os, avance um passo de cada vez, sem atropelar seu próprio caminho na ânsia de chegar a algum lugar, vença as suas barreiras respeitando quem participa com você da jornada, alcance tudo o que deseja, mas consciente que as emoções fluem ao longo da vida, e geram as tais alavancas, e, que naturalmente essas alavancas nos farão ter ações que refletirão as reações que receberemos como respostas. Nesse ponto é importante saber, que, somente nós iremos arcar com as reações do mundo ao nosso redor, e assim seguiremos com marcas de dor ou lembranças de felicidade, dependendo da forma como teremos agido anteriormente com relação as alavancas acionadas em nossas vidas.

Permita que suas emoções criem alavancas positivas, ainda que sejam emoções de mágoa, afinal a pior das dores ainda pode ser percebida como uma grande lição de vida. Com isso suas ações serão produtivas e benéficas, para você e todos ao seu redor, e como conseqüência você terá inúmeras reações positivas e acolhedoras, que lhe servirão de base para uma vida equilibrada.



As pedras no caminho - Lara Orlow




A nossa vida é repleta de caminhos intrínsecos. Existem entradas e saídas, subidas e descidas e, inevitavelmente, as ‘pedras’ que nos fazem tropeçar, cair ou mesmo mudar a rota do caminho. Mas afinal de contas, para que mesmo servem essas pedras?

O que chamamos de ‘pedras no caminho’ são exatamente os problemas que encontramos. As barreiras, as dificuldades, tudo aquilo que parece nos levar para o caminho oposto daquele que havíamos traçado anteriormente. Pior que isso, nos leva ao desanimo, à descrença e a desesperança.

Essas ‘pedras’ que tanto nos magoam e incomodam nos dão a impressão de que estamos correndo em círculos, atrás do ‘próprio rabo’. A verdade é que nossas dificuldades são aumentadas a cada dia, ou, a cada conquista, entretanto existe um motivo muito importante para esse fato. Esses obstáculos servem para demonstrar que estamos na jornada de nossa evolução.

Cada conquista, seja ela física, espiritual ou emocional, nos leva, sem dúvidas, a subir mais um degrau em nossa escada evolutiva. Cada desejo alcançado traz uma série de acontecimentos que o precedem. Primeiro, temos a necessidade de algo que ainda não sabemos do que se trata; depois, com o autoconhecimento nos tornamos capazes de identificar que necessidade é essa (essa identificação pode demorar de segundos a anos, tudo depende do quanto nos conhecemos, ou ainda, do quanto nos apercebemos de nossa própria existência), A exemplo desse fato, podemos observar crianças de idades diferentes. Uma criancinha de colo chora, mas não sabe identificar se está com fome, frio ou sono, apenas fica enjoadinha; por outro lado, uma criança de maior idade, não só sabe identificar de onde vem seu desconforto, como sabe ainda dizer se está com frio ou calor, se quer comida ou doces, etc. Assim somos nós, durante toda a nossa vida. Com o passar do tempo aprendemos a identificar o que queremos, o que desejamos, o que precisamos e o que necessitamos. Elencamos nossas prioridades.

Depois de termos identificado nossas necessidades passamos a observar as possibilidades que temos em conquistar, procuramos descobrir quais são as ferramentas que estão ao nosso dispor para que consigamos atingir nosso objetivo. Finalmente, vamos à luta, e é nesse momento que as ‘pedras’ aparecem. Essa luta também possui um tempo que não pode ser mensurado. Vai desde uma banal busca de vaga no estacionamento, até a conquista de uma colocação no mercado de trabalho. Desde a procura por um delivery que entregue exatamente a pizza que você deseja naquela noite, até o encontro sublime de seu verdadeiro caminho espiritual.

Não importa a dimensão da sua necessidade, ela lhe pertence, é única e exclusivamente sua, e certamente possui inúmeros bloqueios ou barreiras, que dificultam sua concretização. Além disso, quanto maior a necessidade (essa medida somente você é capaz de efetuar, pois existe aqui a Lei da Relatividade), maiores as ‘pedras’ e os obstáculos que você encontrará. Isso acontece por um simples e válido motivo. A cada processo de conquista de nossas necessidades e/ou objetivos, nós evoluímos e aprendemos, passamos por processos mentais, emocionais e espirituais, que nos levam pelo árduo caminho do crescimento. E como verificar se aprendemos as lições que nos são impostas se não através de provas ainda mais complicadas?

Não me cabe aqui definir o que é complicado (novamente a Lei da Relatividade), mas cabe ressaltar que a cada novo caminho, a cada nova identificação de necessidades e a cada novo objetivo, novos obstáculos também surgem diante do nós, nos levando a reforçar lições aprendidas anteriormente e nos induzindo a aprimorar características adormecidas e por vezes ainda novas em nós.

Isso é o processo de ascensão evolutiva!

Finalmente, conquistamos nosso verdadeiro objetivo, que vai muito além das vagas de estacionamento, pizzas ou amores perdidos. A verdadeira conquista que nos impulsiona, que nos leva a ser quem somos, a nos transformar a cada dia, e a buscar sempre novos horizontes. Nossa integração com o Todo, através do aprendizado da alma.

Isso é evolução!

A partir desse momento quando um novo problema surgir à sua frente, limitando e impedindo suas metas, pense bem! Será que você aprendeu de maneira satisfatória o que tinha que aprender na última conquista? Será que existe algo mais a ser superado em você mesmo? Será que agora você já é capaz de decidir da maneira correta?

Aprenda com suas ‘pedras’ e use-as como um medidor de sua própria evolução. Dessa forma, você verá que viver é muito mais simples e que as pedras, apesar de cada vez maiores, são na verdade as mesmas do início da jornada, apenas cresceram tanto quanto você.

Mas não desanime, isso não significa que as ‘pedras’ jamais o deixarão em paz, ou que você nunca encontrará seu equilíbrio; ao contrario disso, as pedras servem para sua auto-avaliação. Quando você realmente aprender o que precisa aprender, então descobrirá finalmente métodos de superar seus problemas, de forma a manter-se em seu constante equilíbrio. Aprenderá a lidar com as ‘pedras’, usando-as como aliadas, e jamais como empecilhos.


Boa jornada para você!
 
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