ENTREVISTA FEITA PELO BLOG JORNALISMO NA ALMA

Pessoal, segue abaixo uma entrevista super gracinha que a Paloma, do blog Jornalismo na Alma fez comigo. Espero que gostem, eu adorei... bjks...

Sobre o livro
Orum está em perigo. Os orixás iniciarão uma guerra de proporções épicas, pois a pedra sagrada do príncipe Oxaguiã está desaparecida. O rei Olorun, buscando o conselho do oráculo Ifá, descobre que somente a antiga raça de guerreiros sagrados da Terra - descendentes dos orixás - será capaz de empreender essa missão. Orunmilá, o feiticeiro, faz uma magia ancestral, e traz para Orum os escolhidos por Ifá: Rick, Verônica e Duda. Três jovens comuns, que do dia para a noite, se veem com a responsabilidade de salvar o mundo. Os três jovens contarão com a ajuda de Lonan, o guardião, que com seu dragão alado os guiará durante toda a missão. Eles vivem muitas aventuras entre as lendas e os mitos africanos, até desvendarem que o verdadeiro culpado está mais próximo do que poderiam supor.


Jornalismo na Alma-Como despertou o desejo de escrever livros?
Lara Orlow-Escrevo histórias desde que fui alfabetizada. Enquanto a professora pedia pequenas frases, eu já estava no meio de uma redação de uma página inteira. Alguns professores gostavam, incentivavam, valorizavam as imensas respostas e redações. Outros achavam um exagero e propunham uma determinada quantidade de linhas. Agora, escrever um livro inteiro pela primeira vez, foi aos dezesseis anos, um romance medieval "Vozes do Tempo", mas nunca foi publicado. Com o tempo a gente vai amadurecendo nossa escrita, é uma prática constante.

Jornalismo na Alma-Nos conte um pouco do universo de Orum. De onde tirou inspiração para criá-lo?
Lara Orlow-Orum faz parte da mitologia africana. É o reino dos orixás. É repleto de magia, transcende a nossa realidade. Seria quase como um mundo paralelo. A inspiração veio de diversas fontes diferentes. Nesse caso eu separei a mitologia da religião. Essa ideia surgiu depois que eu li Harry Potter e Percy Jackson (as coleções completas), e fiquei imaginando porque não tínhamos nenhum livro com heróis brasileiros, vivendo aventuras em meio à mitologia africana, afinal, essa é a nossa matriz cultural. Esse é um livro que pode ser lido por qualquer pessoa, independente de sua orientação religiosa, porque não fere a crença de ninguém, é apenas uma grande aventura, ladeada por um tremendo mistério, que tem como pano de fundo os mitos africanos. Além disso, nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Educação, está contemplado o estudo da cultura africana. O que encontramos com esse tema, ou são livros didáticos, ou livros religiosos. Como educadora nunca encontrei um livro de aventuras com esse tema que pudesse aguçar a curiosidade, atrair a atenção de jovens ao mesmos tempo que instruía sobre os mitos e lendas. Dessa mistureba nasceu A Saga de Orum.

Jornalismo na Alma-A saga de Orum é composta por quantos livros?

Lara Orlow-Por enquanto será uma trilogia, mas algo em minha mente está fervilhando a ponto de nascer um quarto livro.

Jornalismo na Alma-Como surgiu a escolha do nome do livro?

Lara Orlow-A história se passa entre os dois mundos: Orum e Aiyé (como os orixás chamam a Terra). Mas todo o enredo começa em Orum, o mistério acontece lá, e pode destruir nosso mundo, percebi que seria uma saga enfim, então, ficou a Saga de Orum. Esse primeiro volume é Os Guerreiros Sagrados, porque conta justamente a história deles, e seu papel dentro da saga. Cada volume que comporá a saga inteira tem seu próprio nome.

Jornalismo na Alma-Vi que você tem outros livros publicados. Algum deles é seu xodó? Por quê?

Lara Orlow-Complicado responder isso, porque cada um é muito diferente do outro, então todos são meus preferidos sob aspectos diferentes. O mesmo que perguntar a uma mãe qual seu filho preferido. Até os que nunca foram publicados fazem parte dos meus preferidos. "Wlad, Os Prisioneiros do Destino" é um romance medieval, mas que acontece em um clã cigano, é uma história e tanto, cheia de magia, mistério e traições. "Os Caminhos de Lumia" é outro romance, mas dessa vez abordando a questão da diversidade de gêneros e de cultura, porque retrata uma história de amor entre uma cigana (que estava prometida em casamento) e uma gadji (não cigana), um Romeu e Julieta dos tempos modernos. Já "A Saga de Orum" é uma aventura ficcional, cheia de magia e mistério. Então são tão diferentes que acabam todos sendo meus preferidos.

ciganos


Jornalismo na Alma-Qual a maior dificuldade de escrever Literatura Fantástica?

Lara Orlow-Eu não chamaria de dificuldade, mas de desafio. O maior desafio é escrever com propriedade. O que é isso: é saber o que se está escrevendo e porque se está escrevendo. Estar bem embasado e compreender as questões antropológicas de mitos e lendas em geral (porque toda literatura fantástica é regada de mitos e lendas). No caso específico da mitologia africana, ela é repleta de diversidade. Cada tribo, ou nação africana, tem seus próprios mitos, eles vão se modificando aqui e ali, assumem novos aspectos e novas roupagens. Isso porque se trata de uma tradição oral. Então, separar os mitos, decidir qual linha de raciocínio seguir, pensar até que ponto vale a pena adaptar algum mito para que se encaixe no enredo de literatura fantástica, entre outras coisas do gênero. Outro desafio foi desvincular a mitologia da religião, com cuidado de não ferir a fé de quem segue as religiões de matriz africana, e ao mesmo tempo respeitar a crença de pessoas de outras denominações religiosas, que leiam o livro. Claro que a mitologia está ligada à religião. No caso de mitologias como a grega, a nórdica ou a romana, elas já estão desvinculadas de crenças religiosas, então fica um pouco mais fácil de se lidar. Não há fiéis que possam se constranger caso você fale dos defeitos de Zeus, ou quando cita-se uma Atena maltrapilha. É complicado agradar todo mundo, mas me esforcei bastante para alcançar esse objetivo.

Jornalismo na Alma-No livro conhecemos a Mitologia Africana. Nos conte um pouco sobre ela.

Lara Orlow-Como já disse é uma mitologia muito rica de diversidade. Por ser transmitida oralmente, ela vai se modificando, se alterando, em cada tribo ou nação, ela assume diferentes características, isso porque nasceu em tribos nômades. Ela tem uma cosmogênese, como todas as outras mitologias, possui suas deidades, que sempre tem características muito próximas das humanas. Têm paixões, medos e desejos. E possuem poderes sobrenaturais. Orum é o reino dos orixás, Olorum é seu rei, os demais orixás também são reis, em seus próprios reinos menores, que compõem Orum. Dentre centenas de orixás, posso destacar: Yansã, que é a senhora das tempestades; Oxóssi, o senhor da caça; Xangô, o rei das pedreiras e da justiça; e assim por diante. Todas essas deidades entrelaçam-se em relações de amor e ódio, criando o intrincado mundo da mitologia africana, que no final das contas é igual à quaisquer outras que já tenhamos tido contato.
Jornalismo na Alma-Sobre qual tema escreveria um outro livro?

Lara Orlow-Meu lema é diversidade literária. Gosto de inovar, buscar coisas nunca feitas por ninguém. Foi assim com o "Wlad" e com "Lumia", está sendo assim com "A Saga de Orum". Tenho vontade de escrever alguma coisa dentro da mitologia celta. Tenho mergulhado fundo na Literatura Fantástica, e acredito que não mudarei o gênero literário tão cedo.

Jornalismo na Alma-Se pudesse ser uma personagem do seu livro qual seria? Por quê?

Lara Orlow-Essa respondo sem pensar duas vezes, com certeza eu seria Sofia, a mãe da Verônica (A Saga de Orum), porque ela é bióloga no Jardim Botânico de São Paulo, e para mim aquele lugar é um verdadeiro paraíso em meio a civilização. Tem muito de mim nessa personagem.

Jornalismo na Alma-Qual a maior dificuldade que enfrentou para publicar seus livros? Como superou essa situação?

Lara Orlow-O mercado literário nacional é bastante complicado quando se está no início da carreira, e eu ainda estou nesse início na verdade. Mas nunca fiquei esperando alguém descobrir que meus textos existiam. Eu sempre referi a mim como uma "macaca de internet", pulando de site em site, divulgando, falando sobre meus livros, postando algo que eu tenha escrito. Já publiquei gratuitamente em blogs, só para meu nome ficar conhecido. Já criei e excluí blogs meus. Acho que o marketing é a alma do negócio. Foi isso que eu fiz, mostrei que meus textos existiam, para o maior número de pessoas possível. Claro que isso não é o suficiente para ser publicado. Eu dei muito a cara a tapa, ouvi muito mais "nãos" do que "sims", e isso foi amadurecendo minha escrita.

Jornalismo na Alma-Com sente-se com a receptividade das pessoas que leram suas obras?

Lara Orlow-O público brasileiro é muito afetuoso, acho que faz parte da nossa característica. Apesar de haver muito mais marketing para livros estrangeiros, os brasileiros estão cada vez mais valorizando seus autores nacionais. Então, independente do tema, sempre senti muito carinho e receptividade das pessoas que já leram minhas obras.

Jornalismo na Alma-Diga um autor preferido no Brasil? Por quê?

Lara Orlow-Tenho vários preferidos: André Vianco, Thalita Rebouças, Ruth Rocha, entre muitos outros.

Jornalismo na Alma-Diga um autor estrangeiro preferido? Por quê?

Lara Orlow-Anne Rice, porque embalou toda minha adolescência com seus vampiros maravilhosos.

Jornalismo na Alma-Qual a dica que você daria para futuros escritores?

Lara Orlow-Dica 1 - Não desista jamais. Dica 2 - Aceite críticas e faça alterações. Dica 3 - Tenha 1% de inspiração e 99% de transpiração. Dica 4 - Faça sempre uma boa apresentação dos seus projetos literários. Dica 5 - Nunca pare de ler e de estudar.

Jornalismo na Alma-Para encerrar gostaria de fazer um bate e volta com você.

Lara Orlow-
Uma pessoa: Meu pai.
Um desejo: Não deixar de ser eu mesma.
Um livro: Entrevista com o Vampiro.
Uma música: Like a Stone - Audioslave.
Uma comida: Todas.
Uma bebida: Água.
Uma frase: Nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, portanto, não é uma ação, mas um hábito - Aristóteles.
Animal de estimação: Livres.
Filhos: Minha força de viver.
Dinheiro: Não compra felicidade, mas pode te levar para sofrer em Paris.
Felicidade: Equilíbrio.
Fama: Um desafio.
Religião: O amor.
Blogueiros: Tudo de bom.
Falsidade: Uma arma de destruição em massa.

Lançamento "A Saga de Orum - Livro 1 - Os Guerreiros Sagrados"

Estou de volta, dessa vez para contar como foi o lançamento do livro A Saga de Orum.

O lançamento aconteceu durante o Simpósio de Literatura Fantástica, Fantasticon. Então o lugar estava cheio de escritores e leitores desse gênero literário, o que foi maravilhoso, porque o lançamento aconteceu justamente entre incentivadores e apreciadores desse tipo de leitura.

A organização do evento é de responsabilidade de Sílvio Alexandre, e está em sua 7ª edição... sinal de que é um sucesso!

Tive direito à entrevista, realizada pelo Adriano Siqueira e um pequeno clã de fãs, todos com a camiseta da saga... Bom, vamos parar de blá-blá-blá e ir direto às fotos e ao vídeo... Um super abraço a todos, mil bjs!

video




























Lançamento - "A Saga de Orum - Os Guerreiros Sagrados" de Lara Orlow

Olha que artigo lindo, minha filha, Gabriela Orlow, quem escreveu, fiquei encantada:

Quantas vezes você sonhou que uma linda coruja branca lhe trouxesse uma carta para ingressar em uma escola de bruxos? Ou já imaginou que poderia estar em um acampamento meio-sangue, combatendo monstros assustadores da mitologia grega? Então, se prepare, porque existe um novo lugar onde talvez você queira se embrenhar entre seres mitológicos e muita aventura. Esse lugar se chama: Orum.
Baseado na mitologia africana, o novo livro da autora Lara Orlow, “A Saga de Orum – Os Guerreiros Sagrados”, é um misto de magia, aventura e mistério, com direito a profecias de oráculos, dragões e algumas pitadas de bom humor. Claro que não existem dragões na mitologia africana, mas a autora afirma que precisou fazer algumas adaptações na mitologia original, para que assim se tornasse literatura fantástica. Dentre essas pequenas modificações estão alguns novos elos de parentesco e criaturas criadas por ela, de forma a trazer sentido à história do livro. “Essas alterações fazem parte do contexto cultural africano”,explica a autora“uma vez que todos os mitos e as lendas vão se modificando de nação para nação, afinal se trata de uma cultura perpetuada oralmente”. Outra alteração interessante é a multiplicação de Oxalá, Oxalufã e Oxaguiã, que originalmente seriam o mesmo orixá, mas em momentos diferentes de sua existência. Para criar o ar de mistério em torno dessa ficção, a autora multiplicou-os e lhes deu uma identidade individual, tornando-os três orixás independentes, três irmãos, filhos do rei de Orum, Olorun.
A aventura se passa nos dias de hoje, quando três jovens adolescentes, num piscar de olhos, vão parar dentro de uma estranha e assustadora cabana de palha, de frente para um feiticeiro ancestral e seu oráculo. A autora cedeu um trecho para nossa degustação:

“Responda sem pensar: o que você faria se em um instante estivesse no conforto da sua casa e, inexplicavelmente, fosse teletransportado para uma cabana rústica, repleta de enfeites que pareciam ter vindo diretamente do Paleolítico, em uma mistura de pedras, galhos, ossos e outros artefatos indizíveis? A pequena cabana estava quase na penumbra, não fosse pela fogueira onde ardia o pedaço de madeira avermelhada.
- Ei? Quem é você? Sequestro é crime, sabia? Velho safado! Vou ligar para a polícia agora – disse Verônica levando a mão ao bolso para procurar seu celular.
- O que é isso? Onde estou? Cadê minha casa? - Rick não estava entendendo nada.
- Estou no reino que eu sonhei. Eu sabia que isso ia acontecer, as letras dançantes me contaram! – Duda completou extasiada.
- Letras dançantes? Eu tomei alguma coisa que me deixou doidona ou estou sonhando? – Verônica balançou a cabeça, se dirigiu para a porta de saída, mas foi barrada pelo cajado do velho.
- Sente-se mocinha, fique em silêncio e escute – Orunmilá não estava tão certo de que aqueles jovens à sua frente seriam guerreiros sagrados, muito menos salvadores do Otá de Oxaguiã. Talvez o Ifá tivesse errado pela primeira vez. Eles não se pareciam em nada com fortes guerreiros. Seus eledás teriam muito trabalho para prepará-los às pressas.
Aliás, havia ali somente três adolescentes menos que comuns! Um rapazinho com cara de “quero o colo da mamãe”, uma mocinha revoltada, e, a mais nova dos três que parecia, a única, um pouco mais adequada para ser uma guerreira, apesar da pouca idade. Onde estariam os guerreiros de verdade? Guerreiros? Aqueles jovens não poderiam ser chamados de guerreiros.
Afastando a palha do rosto, sem deixar que vissem sua face, ficou observando por alguns instantes, quase estupefato.
O rapazinho parecia tímido demais e descrente. O velho feiticeiro ficou em dúvida quanto à coragem dele. A menina de cabelos cacheados era um tanto arrogante. Com a sobrancelha levantada e as mãos na cintura, ficava batendo os pés no chão, como se tivesse algo melhor a fazer do que estar ali. Impaciente também. Como uma guerreira impaciente conseguiria superar tantos desafios? A menor parecia ser a mais inteligente. Estava empolgada de estar ali, sabia onde estava e respeitava o local. Apesar de ser julgada pelos humanos como incapaz intelectualmente, era a única que poderia demonstrar algum pequeno traço de guerreira.
Respirando fundo, logo o velho deixou que sua voz assustadora e profunda saísse:
- Meus jovens, vocês estão em Orum, o reino superior. Podem chamar de sonho, imaginação ou ilusão. Não me importo quanto ao nome que derem, mas estão aqui porque precisamos de sua ajuda.
- Sim, senhor feiticeiro. Estou pronta a lhe ajudar, eu venho me preparando para isso há anos! – Duda estava encantada com as palavras do velho.
- Meu Deus! Estou entre malucos – Verônica queria voltar para casa, mas sequer sabia onde estava.
Cansado da intolerância de Verônica, o velho lhe deu uma cajadada na cabeça e passou as pontas dos dedos sobre seus lábios, fazendo uma magia temporária que a impossibilitaria de falar. Rick deu risada.
- Você não sabe onde está menina tola. Estamos diante do Senhor da Magia – fazendo uma reverência Duda continuou – deve ser respeitosa, é o mais velho daqui.
Apesar de não lhe saber o nome, ela sabia muito bem quem era e onde estavam.
O velho continuou:
- Estamos passando por um problema muito grave. Tentarei explicar da forma mais simples possível, visto que estou diante de guerreiros despreparados.
O velho foi até onde queimava o tronco, jogou folhas secas que logo se transformaram em uma espessa nuvem branca e com a ponta do cajado foi circulando a fumaça, formando desenhos que iam demonstrando tudo o que ele dizia.
- Vocês estão em Orum, o reino superior, que faz o mundo existir, tal qual o conhecem – sentando-se ao lado das brasas, o velho feiticeiro continuou – Somos regidos por Olorun, nosso rei supremo, o Senhor do Tempo. Ele possui três filhos: Oxalá, Oxaguiã e Oxalufã. Oxalufã é o mais velho, Oxalá é o do meio e Oxaguiã, o mais jovem dos três. Os seres daqui se chamam orixás, e em tempos remotos da Terra foram chamados de deuses. Cada um possui uma pedra sagrada, chamada otá, e todas as pedras reunidas formam a energia que mantém Orum e a Terra em harmonia e equilíbrio.
Orunmilá permaneceu em silêncio por alguns instantes, cismando consigo quanto à compreensão daqueles jovens a despeito dos assuntos sagrados. Rick permanecia de cabeça baixa, mexendo nos dedos, como se pudesse desviar a atenção de si. Verônica estava claramente irritada por causa da magia que a impedia de falar. Duda olhava com atenção, escutando todas as informações, dando o devido respeito ao que o velho dizia.
Respirando fundo, ele continuou:
- Orum está subdividido em reinos menores. Cada reino com seu governante, o orixá responsável, e seus súditos, todos pertencentes à mesma linha vibratória, à mesma família. Possuímos um Conselho dos Orixás, são eles que tomam todas as decisões quanto aos rumos de Orum e da Terra.
Agora, por exemplo, vocês estão no Reino da Magia, e eu sou um orixá, o governante desse reino. Meu nome é Orunmilá, e possuo meus próprios súditos, todos magos, feiticeiros e bruxos. Há algum tempo, mais de um milênio do seu tempo terrestre, o otá de Oxaguiã desapareceu. Quando o otá é retirado do Roncó, a vida do orixá correspondente fica por um fio, e os pilares de sustentação da vida ficam fragilizados.
- Isso é estranho – disse Rick, interrompendo o velho.
- Não sabemos como o otá de Oxaguiã desapareceu, mas se não for resgatado, seu mundo entrará em colapso. Percebam as sucessivas catástrofes naturais que têm devastado o seu planeta. Vocês humanos acreditam que a causa seja o aquecimento global. Na verdade, isso se dá pelo fato dos pilares de sustentação, formados pela energia dos otás, estarem abalados, graças à ausência de um dos otás. Além disso, existe uma profecia muito antiga, que predizia o sumiço do otá de um dos filhos de Olorun. Consultando o oráculo, descobrimos que somente os guerreiros sagrados poderão resolver o problema. Agora os orixás estão em pé de guerra, acusando-se uns aos outros de terem participado do desaparecimento da pedra.
Verônica começou a levantar a mão insistentemente, como se quisesse fazer alguma pergunta. Orunmilá parou de falar, fitou a jovem à sua frente, balançou a cabeça negativamente, e disse para si mesmo: “Vou me arrepender disso!” – depois estalou os dedos, e ela voltou a falar:
- Olha, muito interessante essa história toda, mas está bem simples de se decifrar. Um dos dois irmãos mais velhos ficou com ciúmes do caçula, e resolveu matar o irmão. Isso acontece direto lá na Terra (meu Deus, “to” caindo no conto desse velho...)...
- Não jovem humana insolente. Os filhos de Olorun não são afetados pelas mesmas emoções humanas. Eles não têm ciúmes, não tem rancor, não tem inveja. São seres sagrados e superiores. São senhores da paz, e jamais fariam algo do gênero. Se fossem quaisquer um dos outros orixás isso poderia ser uma hipótese, pois eles sim possuem sentimentos parecidos com os dos humanos... Aliás, os humanos é que herdaram os sentimentos dos orixás. Mas em se tratando da família de Olorun, não!
Estalando o dedo novamente para impedi-la de falar, o velho prosseguiu:
- Os guerreiros sagrados existem desde o início dos tempos em Ayié, a Terra. Eles trabalham para proteger a humanidade. Eu fiz uma magia e convoquei os guerreiros sagrados da profecia, lançando as cinzas dos antigos, e, foram vocês três que apareceram. Ou o oráculo resolveu me pregar uma peça, ou vocês são os guerreiros sagrados designados para empreender tal busca.
Orunmilá continuou:
- A Terra, como vocês a chamam, é o plano físico. Orum é o plano etéreo. Temos ainda um plano criado alguns milênios depois de Orum e Ayié. Um mundo-prisão, Ibonan. Esse último é repleto de seres malignos, prontos a devorar a alma e o espírito de qualquer ser vivente. É local de condenação e abrigo de espíritos errantes e repletos de vícios. Temos algumas fortalezas nos limites de Ibonan, onde soldados, guardiães e comandantes de milícias vivem para manter a paz e evitar rebeliões ou fugas.
O feiticeiro parou para respirar, e em seguida prosseguiu:
- Agora precisamos correr contra o tempo, para localizar o otá de Oxaguiã e guardá-lo junto com os outros no Roncó, o Salão Ritualístico. A desconfiança está instalada entre os orixás. Nada mais há que se fazer, a não ser seguir as orientações do oráculo Ifá. Precisamos ser rápidos, antes que a guerra realmente comece, seu mundo seja aniquilado e Oxaguiã morra.
Duda pigarreou levemente e perguntou respeitosa:
- Mas senhor Orunmilá, existe alguma pista para encontrarmos essa pedra, o otá?
- Sim, temos a profecia – então Orunmilá a recitou, como se aquelas palavras já fizessem parte comum de seu repertório, tanto que já tentara decifrá-la:
A sustentação da vida saqueada
E a prole da casa real por tormentas assolada.
Sol, Lua, Estrela e Arco-íris juntos lutarão.
Suas forças em profusão.
O tempo será parado,
O salvador será o culpado,
Destruído e acusado.
Do seu maior sofrimento ele se reerguerá
E a paz, proveniente da dor, reinará.
Quando tudo terminar
Os elementos irão se rebelar,
Fazendo a busca recomeçar.”

A Saga de Orum promete uma história sem precedentes, afinal é a primeira vez que um autor nacional resolve criar uma ficção com esse enredo. O resto da aventura fica por sua conta e risco!

Livro: A Saga de Orum – Os Guerreiros Sagrados
Autor(a): Lara Orlow
Número de páginas: 364
Anadarco Editora                                             
Lançamento: 21/09/2013
Local: FATASTICON – Simpósio de Literatura Fantástica 2013 - Rua Sena Madureira, 298 – Vila Mariana – São Paulo

Pré-vendas: Desconto na Livraria da Ana (www.livrariadaana.com.br) - DE R$40,00 POR R$34,00 até 21/09


 
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